O comprimido.
Dá-me...
Já deste? Não me lembro,
A dor diz-me que não
Tu dizes-me que sim...
Dá-me...
Não me deixes assim,
Não importa o tempo que falta
Essa hora distante
De segundos martelados pelo corpo...
Faz-me falta, sem falta me fazer
Que a dor está cá e não há magia,
Apenas esperança num alívio
Que não acontece.
Ninguém percebe,
Ninguém sente o meu corpo falido,
A ansiedade da espera.
As longas noites em desespero
Ou os longos dias sem sentido,
Numa existência sabida perdida
Mantida sofrida em momentos que existem,
Lentos,
Demorando-se centímetro a centímetro,
Dominando um peso insuportável.
E urge o tempo que falta.
O comprimido.
Dá-me.
A mente vencida pelo cansaço
De um corpo desobediente.
21 março 2015
12 março 2015
As tias
As tias são como um prolongamento de mãe.
Conhecem-na. Conhecem-me. Entendem.
Desde o quase nada que fomos no nascer até ao quase qualquer coisa que somos no agora.
E amam, dão conselho em mil cautelas, para não doer.
Acolchoam momentos difíceis como alegram momentos felizes.
Estão por aí, fazem saber.
Sempre que é preciso.
Assim como uma mãe, que lhe corre nas veias, também.
É um conforto ser-vos sobrinha.
Abraço apertado e amado.
Conhecem-na. Conhecem-me. Entendem.
Desde o quase nada que fomos no nascer até ao quase qualquer coisa que somos no agora.
E amam, dão conselho em mil cautelas, para não doer.
Acolchoam momentos difíceis como alegram momentos felizes.
Estão por aí, fazem saber.
Sempre que é preciso.
Assim como uma mãe, que lhe corre nas veias, também.
É um conforto ser-vos sobrinha.
Abraço apertado e amado.
23 janeiro 2015
Soco
De vez em quando, a realidade encontra-me.
Quase sempre, estou distraída a viver banalidades:
Um raio de sol força caminho por entre as nuvens
E a ponte madrugadora fica mais bonita sobre o rio.
O peito contrai-se de dor, as perdas socam com força.
A lágrima cai.
O instante passa e a ponte também.
Quase sempre, estou distraída a viver banalidades:
Um raio de sol força caminho por entre as nuvens
E a ponte madrugadora fica mais bonita sobre o rio.
O peito contrai-se de dor, as perdas socam com força.
A lágrima cai.
O instante passa e a ponte também.
14 janeiro 2015
Caverna
Caixas e paletes
Frascos, tampas e mais cartão
Ó senhores, faz lá o frete
E manda o que deves:
Tirar o lixo do chão!
Frascos, tampas e mais cartão
Ó senhores, faz lá o frete
E manda o que deves:
Tirar o lixo do chão!
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